sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Santo de casa não faz milagre! Não?

No dia 30 de março de 2012 tive a oportunidade de assistir uma palestra proferida por Ângela Scalabrin Coutinho. Não sabia eu que essa pesquisadora me auxiliaria a defender uma ideia que venho aprofundando à medida que visito salas de Educação Infantil que são compostas por bebês.



"As crianças no interior da creche: a educação e o cuidado nos momentos de sono, higiene e alimentação" é o título de sua Dissertação de Mestrado, defendida no ano de 2002, na Universidade Federal de Santa Catarina e que foca as ações sociais das crianças na creche nos momentos citados no título, segundo a explanação de Schmitt (2008). Inserida durante dez meses num grupo de crianças de 1 a 2 anos, Coutinho pôs-se a observar e a registrar as relações entre as crianças nos momentos de sono, higiene e alimentação. A pesquisadora observou que esses momentos de cuidado estavam desvinculados do contexto pedagógico, pois não eram mencionados nos planejamentos das professoras. Esses momentos eram desenvolvidos de forma automática, seguindo uma rotina institucionalizada, o que alienava sua ação docente e a das crianças das ricas e reiteradas interações entre elas. Coutinho observou, principalmente, que as crianças interagiam segundo significados diversos dos adultos, mas de forma intensa e prazerosa.

A forma repetitiva de executar as ações de cuidado e educação dos adultos observados em contato com as crianças demonstrou, sobretudo, que havia dois jeitos de ser: o jeito das crianças, "dinâmico, diverso, pulsante" e o da instituição, geralmente do adulto: "rotineiro, homogêneo e ritualizado" (2002, p. 72).
Contudo, Coutinho deixa claro que as interações e expressões das crianças nos momentos de sono, higiene e alimentação são criações próprias da cultura infantil, baseadas no mundo cultural e social que as crianças compartilham com outras gerações, que elas buscam na cultura que as cerca e nos bens culturais que a sociedade disponibiliza para elas.

Não é incomum o adulto interpretar as manifestações das crianças com significado de transgressão, desobediência, "bagunça", para usar o termo de Coutinho. O desconhecimento das criações infantis por parte dos adultos reflete no planejamento, que não se debruça sobre os momentos de cuidados.


Tenho me esforçado para entender as escolhas dos/as professores/as de bebês e crianças pequenas que não se perguntam de que é constituído o cuidado, senão de concepções de educação. De que são impregnados os gestos, as ações, as escolhas no dia-a-dia com as crianças de suas turmas senão das crenças e dos valores desses profissionais? A despeito disto Coutinho assegura que os momentos de cuidado deveriam ser pensados, planejados e observados como oportunidade de encontros e trocas entre as crianças e entre adultos e crianças (SCHMITT, 2008, p.48). 

Não falo aqui de santos, casas e milagres mas bem que logo poderíamos nos convencer!

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